A juíza Simone Ribeiro Chalela decidiu pela prisão preventiva do casal implicado na morte de uma menina de apenas 10 anos. O caso, classificado como tortura seguida de morte, ocorreu em Canela, na Serra Gaúcha. No momento em que foi levada ao hospital em estado crítico, a criança, originária do Suriname, estava sob os cuidados dos investigados.
A decisão foi proferida na tarde da última sexta-feira (19), após a prisão em flagrante do homem e da mulher na quinta-feira (18). A magistrada, ao analisar o pedido de conversão da detenção, levou em conta a seriedade dos acontecimentos e enfatizou a importância de assegurar que as investigações prossigam sem interferências externas.
De acordo com as informações obtidas, o casal tinha a guarda provisória da menina desde dezembro de 2025. Esta autorização foi concedida pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, onde ambos nasceram. Apesar de suas origens paraenses, eles residem na região da Serra Gaúcha há mais de 25 anos.
No despacho que resultou na prisão preventiva, a juíza destacou a vulnerabilidade da criança e a responsabilidade dos investigados em protegê-la.
“A gravidade concreta dos fatos, combinada com a condição especial de vulnerabilidade da vítima e o dever de proteção que recai sobre os investigados, demonstra uma reprovabilidade acentuada em sua conduta e reforça a necessidade de garantir a ordem pública e uma adequada persecução penal”, afirmou a juíza.
A magistrada também indicou que as evidências reunidas até agora sugerem a presença de provas substanciais sobre o crime em questão. Entre os documentos analisados estão o boletim de ocorrência registrado pela polícia e os relatórios gerados durante o atendimento médico à menina.
“Os indícios sobre a autoria são sólidos e recaem sobre os acusados flagrantemente”, concluiu a juíza em sua decisão.
Conforme o boletim policial, a criança foi admitida no hospital com um quadro extremamente grave, apresentando sinais de desidratação severa, hipoglicemia e diversas lesões pelo corpo. Infelizmente, mesmo após receber cuidados médicos intensivos, ela não resistiu e faleceu devido a uma parada cardiorrespiratória.
As investigações continuam sob responsabilidade das autoridades competentes e tramitam sob segredo de Justiça, conforme determinação judicial. Essa medida visa proteger informações relativas à apuração do caso, especialmente por envolver uma vítima menor de idade e por estar ainda em fase inicial de coleta e análise das provas.
