Celebração das Mulheres Rurais: 118.101 Mãos que Transformam o Campo Gaúcho

Iniciativas da Emater/RS-Ascar promovem a autonomia e a participação das mulheres no meio rural

No ano de 2025, a Emater/RS-Ascar atendeu 118.101 mulheres em todo o estado do Rio Grande do Sul. Dentre essas, 48.954 estavam envolvidas em ações específicas voltadas ao empoderamento feminino em 497 municípios, evidenciando um papel transformador que impacta famílias, comunidades e a agricultura local.

Mulheres agricultoras, pecuaristas, pescadoras, quilombolas, indígenas e assentadas da reforma agrária desempenham funções essenciais na produção de alimentos, geração de renda e manutenção das comunidades. Neste Dia Internacional das Mulheres Rurais (15/10), os dados destacam o crescimento de uma força que deixou de ser coadjuvante para assumir um papel central no desenvolvimento do campo gaúcho.

Essas estatísticas são acompanhadas por histórias de coragem, trabalho e liderança. Muitas dessas mulheres planejam safra, gerenciam propriedades, supervisionam a produção e participam da comercialização dos produtos alimentícios, contribuindo para um meio rural mais sustentável e inclusivo.

A visão sobre o papel da mulher rural tem mudado ao longo dos anos. Se antes era vista como suporte nas atividades agrícolas, atualmente elas estão cada vez mais integradas nos processos decisórios. Essas mulheres lideram empreendimentos e exercem funções vitais na agricultura familiar e nas economias locais.

<pPesquisas realizadas pela Emater/RS-Ascar revelam que 53% das mulheres atendidas têm mais de 50 anos, são casadas e possuem filhos. Muitas continuam à frente das atividades produtivas mesmo após se aposentarem, mostrando que experiência e dedicação são fundamentais para o progresso rural.

<pNa Região Metropolitana de Porto Alegre, a produtora Cristine Saldanha simboliza milhares de mulheres que diariamente transformam a realidade do campo. Sua propriedade é dedicada ao cultivo de hortaliças e frutas através de um sistema agroflorestal que equilibra produção agrícola com preservação ambiental.

Para Cristine, criar novas oportunidades para as mulheres rurais implica enfrentar desafios ainda presentes na rotina de muitas delas. “É fundamental que as oportunidades cheguem a todas, levando em conta as dificuldades no transporte, a falta de internet em algumas áreas e a sobrecarga com tarefas domésticas. A criação de creches e espaços de cuidado durante reuniões também é essencial. Além disso, precisamos ser reconhecidas como agricultoras e ter voz nas decisões políticas que impactam nossas vidas”, afirmou.

As declarações de Cristine refletem uma realidade comum em várias regiões do estado: produzir alimentos é apenas uma das responsabilidades assumidas por aquelas que também cuidam da família e gerenciam suas propriedades enquanto buscam participação nas decisões que afetam seu futuro.

A partir da escuta ativa dessas mulheres surgiram novas iniciativas voltadas para o fortalecimento feminino. Uma pesquisa da Emater/RS-Ascar revelou o desejo por espaços seguros para diálogo e troca de experiências entre produtoras.

Dessa necessidade surgiu o Curso de (Des)envolvimento para Mulheres Rurais, com o objetivo de ampliar oportunidades e promover a participação feminina no meio rural.

“Em 2023 iniciamos o Curso de (Des)envolvimento para Mulheres Rurais com base nessa demanda. A formação é estruturada em módulos que incentivam autoconhecimento e intercâmbio de experiências”, destacou a extensionista rural Clarice Emmel Bock.

Os resultados já podem ser observados em diversas regiões do Rio Grande do Sul. O fortalecimento das associações femininas, maior participação das mulheres em espaços decisórios, aumento das iniciativas comunitárias e crescimento da renda familiar evidenciam o impacto positivo das ações baseadas nas necessidades expressas pelas próprias mulheres.

Acesso à informação é considerado por Clarice uma ferramenta crucial para promover transformação social. “Nosso trabalho inclui atividades coletivas onde proporcionamos formação e troca de conhecimentos. Levar informação possibilita que as mulheres conheçam seus direitos e tenham mais condições para decidir sobre suas vidas”, finalizou.

No ano 2026, que foi declarado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, essa homenagem adquire ainda mais relevância. Reconhecer essas mulheres é valorizar quem contribui para garantir segurança alimentar, preservar saberes tradicionais, proteger a biodiversidade e fomentar um desenvolvimento sustentável.

Pelas diversas regiões gaúchas – dos Campos de Cima da Serra à Fronteira Oeste, passando pelas Missões até o Litoral – elas estão presentes em todos os cantos do estado.

São 118.101 histórias dedicadas. São 48.954 protagonistas empoderadas por ações direcionadas. São milhares de mulheres atuando nos 497 municípios do Rio Grande do Sul.

Eles não apenas cultivam a terra; cultivam oportunidades. Mais do que produzir alimentos, geram desenvolvimento. E longe dos holofotes, continuam semeando aquilo que nenhuma estiagem pode destruir: esperança, autonomia e um futuro promissor para o Rio Grande do Sul.