Centro de Porto Alegre se torna palco vibrante da cultura e economia criativa africana durante festival

A segunda edição do festival expande sua programação e reúne chefs renomados, produtores locais, empresários e artistas para celebrar a ancestralidade africana e promover o desenvolvimento econômico.

No dia 7 de novembro, Porto Alegre será palco de um evento que destaca a cultura, gastronomia e empreendedorismo de origem africana. O Festival Africano – Áfricas no Centro tomará conta da Unisenac e da Rua Coronel Genuíno, situada no Centro Histórico, apresentando uma rica programação que inclui alta gastronomia, feiras, oficinas, debates, apresentações culturais e iniciativas voltadas para fortalecer a economia criativa negra.

Na última quarta-feira (28), os detalhes do festival foram revelados durante um encontro no auditório da Unisenac. Organizado pelo projeto Áfricas no Centro, o evento conta com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre e do Sebrae, além de parcerias com instituições como Unisinos, Unisenac, Produtores Unidos e Instituto Identidade RS.

Mais do que um mero evento cultural, o festival se estabelece como uma plataforma para valorizar a herança africana e criar oportunidades para empreendedores, produtores rurais, cozinheiros, artesãos e artistas. A proposta é unir tradição com inovação e desenvolvimento econômico, destacando uma das principais influências na formação da sociedade brasileira.

Um dos destaques da programação será o Banquete Africano. Essa experiência gastronômica será liderada pelo chef João Diamante, uma referência na culinária afro-brasileira, ao lado do chef Sidy (Sessidy). Juntos, eles irão combinar ingredientes típicos gaúchos com técnicas inspiradas nas tradições culinárias africanas e afrodiaspóricas.

O almoço será preparado na cozinha pedagógica da Unisenac e terá capacidade para 300 pessoas. O evento contará com a colaboração de docentes negros dos cursos de Gastronomia das universidades Unisenac e Unisinos. Além de apresentar sabores que contribuíram para a formação da culinária brasileira, a proposta busca ressaltar a gastronomia como meio de preservação da memória cultural e da identidade.

Junto à experiência gastronômica, a Rua Coronel Genuíno será ocupada por uma feira que reunirá produtores locais e da agricultura familiar. O público poderá adquirir pratos típicos, artesanato, moda e produtos autorais vinculados à economia criativa. O objetivo é impulsionar negócios locais enquanto aproxima as pessoas das ricas manifestações culturais afro-brasileiras.

O festival também oferecerá diversas oficinas gastronômicas, demonstrações culinárias na unidade móvel do Senac-RS, atividades infantis, shows musicais, intervenções artísticas e desfiles de moda africana. Além disso, haverá ações focadas na valorização da estética e identidade negra.

No interior da Unisenac, o auditório sediará palestras, rodas de conversa e debates abordando temas como ancestralidade, educação antirracista, cultura e empreendedorismo. Um dos momentos marcantes será a exibição de um documentário produzido pelo chef João Diamante durante sua viagem ao Benin. Este momento incluirá um debate sobre as conexões históricas entre África e Brasil.

O festival visa proporcionar uma experiência que una conhecimento artístico à formação profissional e aos negócios. Ao reunir instituições educacionais com o setor público e agentes culturais, o evento destaca a economia criativa como motor de inclusão social e desenvolvimento.

<pDurante a apresentação da programação, Liliana Cardoso, secretária municipal da Cultura, enfatizou a importância simbólica do festival para Porto Alegre. “Esse evento representa nossa ancestralidade africana; é motivo de orgulho para o Poder Público estar ao lado da sociedade na realização deste projeto. O festival também destaca a grandeza dos produtores locais. É a potência africana presente em nossa cidade”, afirmou.

A diretora do programa Centro+, Bruna Serrano, comentou sobre o impacto cultural na revitalização do Centro Histórico: “Esse local é um palco natural para cultura por carregar nossa história e diversidade que compõem a identidade porto-alegrense. Nosso papel é potencializar essa vocação ao criar condições para iniciativas como essa ocuparem espaços públicos”, declarou.

A ampliação do festival reflete um movimento crescente em busca de maior visibilidade para as produções culturais ligadas às matrizes africanas. Se na primeira edição houve uma proposta inovadora que chamou atenção nacionalmente, esta segunda versão se expande ainda mais ao incorporar novos parceiros estratégicos nas áreas de educação e qualificação profissional.

Com isso, o Festival Africano transforma o Centro Histórico em um vibrante espaço de experiências culturais gas­tronômicas e artísticas. O evento procura afirmar Porto Alegre no cenário nacional dedicado à valorização da cultura afro-brasileira. Mais do que celebrar tradições ancestrais, essa edição ilumina o potencial econômico que reside na diversidade cultural junto à capacidade criativa de gerar inclusão social.