A cidade de Porto Alegre recebeu o Selo Prata de certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, concedido pela OMS (Organização Mundial da Saúde) com o apoio técnico da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde). A certificação confirma que o município alcançou a meta internacional de interromper a transmissão do vírus de mãe para filho durante a gestação ou o parto. O anúncio veio acompanhado da divulgação do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2025 pelo Ministério da Saúde, que destacou reduções importantes nos indicadores da Capital.
Para receber o Selo Prata, Porto Alegre demonstrou, com base em dados epidemiológicos consistentes, que a taxa de transmissão vertical do HIV está abaixo de 2 casos para cada 100 crianças expostas, uma meta que já estava consolidada na cidade desde 2023. Além disso, o município atingiu 95% de gestantes testadas para HIV, além de estar em processo de atingir outras duas metas relacionadas ao pré-natal e tratamento antirretroviral.
A avaliação internacional foi realizada por meio de visitas técnicas da Opas e do Ministério da Saúde aos serviços de saúde da rede municipal, verificando fluxos de cuidado, qualidade das informações epidemiológicas e acompanhamento das gestantes e recém-nascidos. A conquista do Selo Prata reflete o trabalho das equipes de saúde na cidade, demonstrando a eficácia das ações municipais no enfrentamento da epidemia e no cuidado materno-infantil.
O Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2025 apontou que Porto Alegre registrou 1.321 novos casos de infecção pelo HIV em 2024, representando 43% das notificações do Rio Grande do Sul. Apesar dos avanços, a cidade ainda enfrenta desafios, como altas taxas de detecção de gestantes com HIV e mortalidade por Aids, que são superiores à média nacional. No entanto, a trajetória consistente de melhoria, com a redução de indicadores estratégicos e a certificação da eliminação da transmissão vertical, demonstra a efetividade das ações municipais na prevenção combinada e no cuidado clínico às gestantes.
A enfermeira Bianca Ledur destaca a importância do Comitê Municipal de Prevenção da Transmissão Vertical de HIV e Sífilis, iniciado em 2013, para qualificar os dados e contribuir para a redução da transmissão do vírus da mãe para o bebê em Porto Alegre.
