A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou o balanço do setor agropecuário de 2025 e as projeções para 2026 em uma coletiva que destacou a necessidade de mudanças estruturais no ambiente econômico do país. O encontro também marcou a despedida de Gedeão Pereira da presidência da entidade, evidenciando que o estado passa por um período desafiador.
Os dados apresentados revelam que os produtores do Rio Grande do Sul estão lidando com os impactos de uma estiagem prolongada, aumento do endividamento e perda de competitividade. As perdas climáticas entre 2020 e 2025 foram estimadas em R$ 126,3 bilhões, afetando diretamente a renda das famílias e a economia local.
Transição histórica e alerta político
Gedeão Pereira mencionou que, após 29 anos, haverá a transmissão formal do cargo na Farsul. Ele encerrará seu mandato em dezembro e assumirá a vice-presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a nível nacional. Pereira ressaltou que 2026 será crucial para o agronegócio, especialmente devido às eleições, destacando a incerteza econômica e política no país.
O impacto da crise climática no estado também foi abordado, com a perda de 48,6 milhões de toneladas de grãos nos últimos cinco anos afetando significativamente a economia gaúcha. Pereira enfatizou que a agricultura é fundamental para a circulação de riqueza.
Nova gestão e aproximação com o público urbano
O próximo presidente, Domingos Velho Lopes, afirmou que sua gestão manterá o rigor técnico da Farsul, mas buscará uma maior interação com a sociedade. Ele ressaltou a importância de comunicar a relevância econômica, social e ambiental da produção rural, destacando o Brasil como principal exportador líquido de alimentos no mundo.
Balanço econômico: cinco safras de perdas e risco de desaceleração
O economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, revelou um cenário desafiador, com a quinta safra consecutiva de perdas no Rio Grande do Sul. A produção de grãos em 2025 deverá registrar uma queda de 6% em relação ao ano anterior. Da Luz alertou para a possibilidade de uma desaceleração mais intensa em 2026 se não houver mudanças no modelo de investimento e equilíbrio fiscal.
O estado ocupa a 26ª posição no crescimento desde 2019 no cenário nacional, com uma redução de 11 pontos percentuais em relação à média do Brasil. A estiagem não afeta apenas os produtores, mas tem impacto na economia e demografia local.
Endividamento persistente e risco estrutural
Antônio da Luz ressaltou que o endividamento dos produtores rurais persistirá, mesmo em caso de uma safra favorável, devido aos altos juros, inflação e desequilíbrio fiscal. Ele alertou que o estado está ficando para trás, o que afeta toda a população, e não apenas os agricultores.
Setor resiliente diante de um cenário adverso
A coletiva enfatizou que o setor agrícola enfrenta desafios profundos, porém a transição na Farsul e o foco em comunicação e articulação política indicam que o setor está se preparando para um 2026 de decisões estratégicas e reconstrução. (Por Gisele Flores)
