Mercado de veículos no Rio Grande do Sul encerra 2025 com queda moderada e planeja reestruturação para o próximo ano

O mercado de veículos zero-quilômetro no Rio Grande do Sul encerrou 2025 com 188.074 unidades emplacadas, apresentando uma retração de 4,43% em relação ao ano anterior. Esse desempenho reflete os desafios econômicos enfrentados ao longo do ano, os impactos no agronegócio e as mudanças no perfil de consumo. No entanto, também sinaliza uma possível reorganização para o ano de 2026.

Em dezembro, período tradicionalmente impulsionado por campanhas comerciais e renovações de frota, foram emplacados 19.117 veículos, registrando um aumento de 25,11% em relação a novembro, o que confirma a sazonalidade positiva do último mês do ano.

Automóveis

O segmento de automóveis fechou o ano de 2025 com 96.167 unidades emplacadas, representando uma retração de 4,41%. No mês de dezembro, foram emplacados 10.407 veículos, um crescimento de 31,25% em comparação a novembro. Apesar da queda anual, o último trimestre mostrou uma reação consistente, com os consumidores retomando as decisões de compra após meses de cautela. As expectativas para 2026 apontam para uma possível estabilização, com chances de crescimento leve caso o crédito permaneça disponível.

Comerciais leves

O segmento de comerciais leves registrou 27.284 unidades emplacadas, apresentando uma retração de 9,83%. Em dezembro, foram 2.533 emplacamentos, um aumento de 28,19%. Esse segmento foi impactado pela desaceleração econômica e pela diminuição dos investimentos de pequenos empresários e produtores rurais. Apesar da recuperação no final do ano, o desempenho reflete a fragilidade do setor primário.

Caminhões

O setor de caminhões contabilizou 8.113 unidades emplacadas, registrando uma queda de 18,32%. No mês de dezembro, foram emplacados 711 veículos, um aumento de 16,37%. Esse desempenho foi fortemente impactado pelo agronegócio, especialmente nos segmentos de pesados e extrapesados. A retração foi mais significativa do que o previsto. Para o ano de 2026, espera-se um primeiro semestre lento, com uma retomada mais consistente no segundo semestre, impulsionada pela demanda reprimida.

Ônibus

O segmento de ônibus manteve uma estabilidade, com 1.249 unidades emplacadas, apresentando uma retração de apenas 1,89%. Em dezembro, foram emplacados 98 veículos, um aumento de 2,08%. Sustentado por renovações pontuais de frota escolar e urbana, é esperado que esse setor permaneça equilibrado em 2026, com uma perspectiva de aquecimento em um ano eleitoral.

Motocicletas

O setor de motocicletas registrou 37.377 unidades emplacadas, representando um crescimento de 1,10%. No mês de dezembro, foram emplacadas 3.673 motos, um aumento de 15,47%. Apesar desse crescimento, o desempenho no Rio Grande do Sul ficou abaixo da média nacional, que apresentou um aumento de cerca de 14%. A contradição persiste: maior poder aquisitivo médio, porém menor adesão às motos como solução de mobilidade e trabalho.

Implementos rodoviários

O setor de implementos rodoviários registrou 5.752 unidades emplacadas, com uma retração de 19,53%. Em dezembro, foram emplacados 544 veículos, um aumento de 24,49%. A falta de linhas de crédito específicas comprometeu a renovação de frota. Caso o mercado financeiro apresente soluções adequadas, existe a possibilidade de uma retomada moderada em 2026.

Eletrificados

O mercado de veículos eletrificados foi o destaque positivo de 2025, com 15.578 unidades emplacadas, representando um crescimento de 67,70% em relação a 2024. Os veículos híbridos cresceram 66,50%, enquanto os elétricos puros aumentaram 69,50%. Esse movimento confirma uma tendência estrutural, impulsionada pela maior oferta de modelos e pela expansão da infraestrutura de recarga. Apesar disso, o Rio Grande do Sul ocupa apenas a 10ª posição no ranking nacional, ficando atrás de estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Avanços regulatórios

Além dos números apresentados, 2025 também foi marcado por conquistas institucionais, como a substituição tributária para peças, a regulamentação da venda de veículos por locadoras após um ano de uso, a primeira iniciativa da CNH Social, o avanço do Renave de Usados e o fim da vistoria para veículos zero-quilômetro. O marco mais significativo foi a aprovação do Projeto de Lei nº 274/2025, que estabelece a alíquota do ICMS sobre veículos novos em 12%, a partir de janeiro de 2026. Essa medida coloca o Rio Grande do Sul em linha com os estados mais competitivos, estimulando investimentos e ampliando o acesso aos veículos novos.

Expectativas para 2026

O Sincodiv/Fenabrave-RS prevê uma reorganização gradual para o mercado automotivo gaúcho em 2026:

Automóveis e comerciais leves: estabilidade, com potencial de crescimento de até 8%.

Caminhões: um primeiro semestre mais lento, com uma recuperação no segundo semestre, podendo apresentar um crescimento de 3%.

Implementos rodoviários: uma retomada condicionada ao crédito, com uma projeção de crescimento de 2%.

Motocicletas: potencial de expansão de 8%.

Eletrificados: um crescimento contínuo, fortalecendo a mobilidade sustentável.

O balanço de 2025 revela um setor que, apesar da retração moderada, conseguiu avançar em aspectos estruturais importantes. A diminuição nos emplacamentos evidenciou fragilidades relacionadas ao agronegócio e ao crédito, mas também abriu espaço para ajustes regulatórios e institucionais que colocam o Rio Grande do Sul em uma posição mais competitiva.

O crescimento expressivo dos veículos eletrificados demonstra que a mobilidade sustentável deixou de ser uma promessa e já se estabelece como um vetor estratégico. A aprovação da alíquota única de ICMS em 12% sinaliza um ambiente de negócios mais estável e atrativo.

Dessa forma, o ano de 2026 não representa apenas uma possível recuperação, mas sim o início de uma reorganização que poderá redefinir o mercado automotivo gaúcho. O desafio será transformar os indícios de reorganização em um crescimento consistente, equilibrando a tradição (automóveis, caminhões e implementos) com a inovação (veículos eletrificados e novas soluções de mobilidade). Mais do que números, o setor entra em um ciclo de transição que poderá posicionar o estado como referência nacional em competitividade e sustentabilidade.