Primeira usina de etanol de trigo do Brasil é inaugurada em Santiago
A primeira usina de etanol de trigo do Brasil entrou em operação em Santiago, no Vale do Jaguari, marcando um novo momento para o agronegócio gaúcho e para a matriz energética nacional. O projeto da CB Bioenergia, que contou com um investimento de R$ 100 milhões, sendo R$ 30 milhões financiados pelo BRDE, começou a produzir nesta segunda-feira (12/01), com capacidade para 43 mil litros diários de etanol hidratado.
Esta iniciativa é pioneira, pois até então o etanol no Brasil era produzido majoritariamente a partir da cana-de-açúcar. A diversificação para o trigo, e futuramente para cevada, triticale e milho, permite uma nova abordagem agrícola, com base em culturas de inverno. Atualmente, apenas 20% da área cultivada no Rio Grande do Sul é destinada à “segunda safra”. A usina de Santiago mostra que essa área pode ser convertida em energia limpa, valorizando grãos que antes eram subutilizados.
Além do etanol hidratado, a usina também será capaz de produzir álcool neutro e subprodutos para ração animal, criando um ciclo de aproveitamento completo. Estima-se que a produção anual alcance 12 milhões de litros, com um consumo diário de aproximadamente 100 toneladas de trigo.
Impacto econômico e estratégico
Espera-se que o projeto gere cerca de 200 empregos diretos e 500 indiretos, fortalecendo a economia local e incentivando o Vale do Jaguari, conhecido pela produção de grãos. Para o BRDE, esse é um investimento estratégico, que promove a importância das culturas de inverno como um vetor de desenvolvimento ao financiar R$ 30 milhões em inovação industrial.
Segundo Ranolfo Vieira Júnior, diretor de Operações do BRDE, “o futuro do campo está ligado a essas culturas”. Por outro lado, Leonardo Busatto, diretor de Planejamento, ressaltou que essa iniciativa representa “um avanço em prol da produção sustentável e da transição energética”.
Contexto de mercado
Essa iniciativa está alinhada com uma agenda global de descarbonização. Ao oferecer uma alternativa baseada em grãos de clima temperado, o Brasil diversifica sua matriz energética, reduz a dependência de culturas tropicais e aumenta a resiliência frente às mudanças climáticas e flutuações de mercado.
No âmbito da competição, o etanol de trigo pode posicionar o Rio Grande do Sul como um líder em biocombustíveis, atraindo investimentos e consolidando o estado como um polo de inovação agrícola. Além disso, abre espaço para novos arranjos produtivos, integrando agricultores, indústria e setor financeiro em uma cadeia de valor expandida.
A usina de Santiago representa não apenas um empreendimento industrial, mas um marco que combina inovação tecnológica, financiamento estratégico e reestruturação agrícola. Ao transformar o trigo em combustível, o Rio Grande do Sul assume um papel de destaque e se posiciona como líder em uma agenda que une sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento regional. (Por Gisele Flores – [email protected])
