Especialistas destacam a importância da vacinação de gestantes para proteger tanto a mãe quanto o bebê.
A vacinação durante a gravidez não é apenas uma recomendação médica, mas também uma estratégia de saúde pública crucial para salvar vidas. Proteger gestantes por meio da imunização é fundamental para garantir a transmissão de anticorpos essenciais para os recém-nascidos, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico dos bebês ainda está em desenvolvimento e vulnerável.
De acordo com o pediatra Juarez Cunha, membro do Comitê de Imunizações da SPRS (Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul), a gravidez é uma oportunidade para revisar o calendário vacinal e garantir a proteção tanto da mãe quanto do bebê. Ele ressalta que algumas vacinas administradas durante a gestação também beneficiam o bebê nos primeiros meses de vida, quando ele é mais suscetível a infecções.
Importância das vacinas
As vacinas recomendadas incluem a vacina contra influenza, que reduz complicações respiratórias e hospitalizações, e a vacina contra COVID-19, que previne formas graves da doença e diminui os riscos de parto prematuro.
Uma novidade importante é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal agente causador da bronquiolite em bebês. Recomendada a partir da 28ª semana de gestação, essa vacina garante proteção ao recém-nascido nos primeiros seis meses de vida, especialmente nos primeiros três meses, que são os mais críticos. Cunha destaca que, ao vacinar a gestante, os anticorpos são transferidos para o bebê, proporcionando uma proteção crucial desde o início da vida.
Impacto na saúde infantil
A bronquiolite é uma das principais razões de internações em bebês. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que, entre 2010 e 2022, houve em média 120 mil internações anuais por bronquiolite viral aguda em crianças menores de dois anos, resultando em custos hospitalares que ultrapassam os R$ 150 milhões por ano. O Vírus Sincicial Respiratório é responsável por até 80% desses casos.
Esses números evidenciam a gravidade da doença na pediatria brasileira e ressaltam a importância da imunização materna para reduzir internações e complicações graves.
Cobertura vacinal em gestantes
De acordo com o Ministério da Saúde, a cobertura vacinal contra influenza em gestantes no Brasil varia entre 60% e 70% nos últimos anos, abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações. Esses números indicam que ainda existem desafios em relação à adesão às campanhas de vacinação e à conscientização sobre os benefícios da imunização durante a gravidez.
O Observatório Obstétrico Brasileiro também aponta que a hesitação em relação às vacinas e a falta de informação são obstáculos importantes para alcançar uma maior cobertura vacinal.
Pré-natal como espaço de informação
O pré-natal é o momento ideal para revisar o histórico vacinal e esclarecer dúvidas. Profissionais de saúde têm um papel crucial em orientar sobre quais vacinas são seguras e necessárias em cada etapa da gestação. A tomada de decisão deve ser baseada em evidências científicas e nas diretrizes do Programa Nacional de Imunizações, que garante o acesso gratuito às vacinas essenciais.
Proteção desde o útero
A imunização durante a gravidez vai além do cuidado individual. É uma escolha que beneficia tanto a mãe quanto o bebê, contribuindo para a saúde coletiva. Em um cenário de desinformação e hesitação em relação às vacinas, é fundamental reforçar a confiança na ciência. A imunização materna é, portanto, uma estratégia que assegura um início de vida mais seguro e com menos riscos para os recém-nascidos. (por Gisele Flores)
