Três ex-integrantes da Brigada Militar foram sentenciados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, um jovem de 18 anos, que ocorreu em 12 de agosto de 2022, na cidade de São Gabriel, localizada na Região da Campanha, durante uma intervenção policial.
A condenação imposta aos réus foi de 24 anos em regime fechado, além da obrigação de pagar R$ 100 mil à família da vítima a título de indenização.
O Tribunal do Júri conduziu o julgamento que teve início na segunda-feira (29) e se estendeu até a madrugada deste sábado (4). Os jurados reconheceram a presença de qualificadoras como motivo fútil e o uso de meios que impossibilitaram a defesa por parte da vítima. A juíza Liz Grachten foi responsável pela leitura da sentença por volta das 1h15min, após cinco dias de deliberações no Foro de São Gabriel.
Além da pena privativa de liberdade, foi decretada a perda dos cargos públicos dos réus. Os ex-policiais militares estão encarcerados desde o ano passado e não terão a possibilidade de recorrer em liberdade. No entanto, ainda cabe recurso.
Júri
Durante o julgamento que começou na segunda-feira (29), foram ouvidas 17 testemunhas e realizados os interrogatórios dos três réus, além de duas inspeções judiciais no local do crime com a presença dos jurados.
A defesa argumentou que não havia provas suficientes para vincular os réus ao crime e negou qualquer tipo de agressão por parte dos policiais. Segundo eles, após a abordagem, o jovem teria sido deixado com vida. Gabriel havia se mudado para São Gabriel com a intenção de cumprir o serviço militar obrigatório no Exército Brasileiro.
Caso
Documentos do processo indicam que o corpo de Gabriel foi encontrado em um açude na região conhecida como Lava Pé em 19 de agosto de 2022. A denúncia apresentada pelo Ministério Público relata que o jovem foi abordado pelos policiais militares na noite do dia 12, em resposta a uma ocorrência. Uma mulher havia chamado a Brigada Militar naquela noite informando que um jovem estava tentando arrombar o portão da sua casa.
Em seu testemunho, ela afirmou que o rapaz repetidamente dizia estar perdido e à procura da residência de parentes. Essa circunstância teria motivado sua tentativa de abrir o portão.
A acusação sustenta que após ser agredido, Gabriel foi colocado dentro de uma viatura policial e posteriormente encontrado sem vida no açude.
