A prática do golpe envolvendo falsos advogados, amplamente divulgada em reportagens para alertar a população e prevenir prejuízos, continua a ser aplicada no Rio Grande do Sul e em diversas outras regiões do Brasil.
Na última sexta-feira (24), o advogado Marcelo Paiva Golgo relatou que seu pai, Antônio Carlos Nunes Golgo, de 75 anos, recebeu uma mensagem via WhatsApp de um perfil falso que se passava por uma advogada, informando que ele havia ganhado um processo judicial.
Segundo Marcelo, a mensagem incluía um alvará judicial falsificado, apresentando o timbre do TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul), o Brasão da República e um selo do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que não possui qualquer relação com o caso. O documento autorizava fraudulentamente o levantamento de R$ 5 mil.
“A realidade é que o processo nº 5225140-65.2024.8.21.0001/RS foi extinto sem resolução de mérito em 14/05/2026, e a Secretaria da Vara confirmou que não há nenhum alvará expedido”, esclareceu Marcelo.
“Esse episódio é um exemplo clássico do modus operandi já amplamente relatado: os criminosos monitoram sistemas judiciais em busca de processos com valores pendentes, coletam informações das partes envolvidas (nomes, CPFs e números de processos) e contatam as vítimas pelo WhatsApp, apresentando-se como advogados falsos e enviando documentos fraudulentos com logotipos oficiais do Judiciário”, destacou o advogado.
Marcelo acrescentou que o TJRS tem promovido campanhas educativas sobre esse tipo de golpe, enquanto a OAB/RS está atuando em várias frentes. Além disso, essa situação já resultou em operações policiais que levaram à prisão de envolvidos em outros Estados.
Após a tentativa de golpe contra seu pai, foi feito um boletim de ocorrência na Polícia Civil, além de uma comunicação oficial ao Tribunal de Justiça (Corregedoria e Ouvidoria) e uma notícia-crime ao Ministério Público.
Entenda mais sobre esse tipo de fraude
Essas fraudes são normalmente praticadas por estelionatários que se fazem passar por advogados ou escritórios jurídicos. Eles costumam enviar notificações judiciais fraudulentas via WhatsApp, além de utilizar e-mails ou telefonemas para tentar enganar suas vítimas.
As mensagens geralmente informam sobre a existência de valores disponíveis para pagamento e logo em seguida solicitam depósitos (normalmente via Pix), alegando serem taxas ou custas necessárias para a liberação de indenizações ou precatórios.
Os golpistas utilizam indevidamente nomes de advogados ou servidores públicos da Justiça, bem como dados acessíveis publicamente sobre processos em andamento. Embora informações sobre precatórios sejam públicas, dados confidenciais provavelmente são adquiridos através de vazamentos.
A utilização de logotipos reais de escritórios jurídicos e até do brasão do TJRS, aliada a uma linguagem técnica convincente, acaba persuadindo muitas vítimas, incluindo idosos e servidores públicos, a acreditarem na legitimidade das comunicações recebidas.
É essencial que tanto os escritórios advocatícios quanto as vítimas realizem registros policiais ao se defrontarem com essas mensagens suspeitas. As vítimas devem sempre verificar a autenticidade das comunicações antes de responderem, utilizando apenas os canais oficiais dos escritórios para evitar contatos diretos pelos números apresentados nas mensagens duvidosas.
Para informar melhor a população sobre esse golpe, em fevereiro deste ano, a OAB/RS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Rio Grande do Sul) lançou uma campanha chamada “A Melhor Proteção é a Informação”, em parceria com a Polícia Civil. A iniciativa busca conscientizar e educar a sociedade, complementando as ações repressivas já implementadas.
