A Defesa Civil de Porto Alegre emitiu um alerta sobre o risco elevado de aumento no nível das águas do Guaíba, que poderá alcançar pontos de inundação nas áreas das ilhas, especificamente no bairro Arquipélago, além de regiões ribeirinhas nas zonas Sul e Extremo Sul. O aviso estará em vigor a partir das 8h desta quarta-feira (23) até as 10h de sexta-feira, período durante o qual o monitoramento será intensificado.
O órgão municipal informou que a razão para o alerta é a previsão de maior vazão dos afluentes nos próximos dias, consequência das chuvas intensas que atingiram o Interior do Estado desde o começo da semana. “A Defesa Civil recomenda que os residentes das áreas afetadas acompanhem as informações nos canais oficiais e sigam as orientações dadas pelas autoridades”, destaca o portal da prefeitura.
Na tarde da terça-feira anterior, uma ação preventiva foi realizada pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), que consistiu no fechamento do canal de drenagem pluvial localizado próximo à rua Jacipuia, no Guarujá. Este canal possui um plano de segurança que é ativado quando o Guaíba atinge 1,1 metro na região, sendo essa cota uma das mais baixas da cidade, perdendo apenas para as ilhas.
Além do bloqueio físico entre a rede de drenagem e o lago, também foi instalada uma bomba móvel de sucção que remove a água acumulada no bairro e direciona para o manancial. “Nos próximos meses, será finalizada a instalação de uma comporta com área de 1,5 metro quadrado para facilitar o fechamento preventivo da rede e evitar o refluxo das águas do Guaíba”, promete a administração.
O bairro, situado fora da zona protegida contra alagamentos em Porto Alegre, requer estratégias específicas dentro do plano de segurança contra cheias. No momento, as ações implementadas pelo Dmae incluem a construção de um dique composto por barreiras móveis próximas ao lago e o bloqueio físico das redes de drenagem conectadas às vias adjacentes ao manancial.
Após as chuvas recentes no Rio Grande do Sul, que elevaram os níveis dos rios Taquari e Caí, equipes técnicas do Dmae estão monitorando a evolução do deságue no rio Jacuí e, em seguida, no Guaíba. Esse acompanhamento é crucial para determinar as ações subsequentes.
Precedente de 2024
Ambas as regiões enfrentaram severos impactos devido às cheias ocorridas em maio de 2024, quando houve um transbordamento recorde do Guaíba. No bairro Arquipélago, as águas – incluindo aquelas provenientes do Delta do Jacuí – cobriram quase toda a ilha Pintada, forçando muitos moradores a abandonarem suas residências.
Diferentemente de outras partes da cidade afetadas pela lama, as ruas e casas nas ilhas foram invadidas por grandes camadas de areia trazidas pela correnteza e erosão. Essa área também registrou um dos maiores números proporcionais de pessoas afetadas e desalojadas, causando danos significativos à pesca artesanal e ao comércio local.
A situação foi igualmente grave – embora em menor escala – na Zona Sul. Bairros ribeirinhos como Lami e Guarujá não estavam integrados ao sistema principal de contenção contra cheias da capital, ficando vulneráveis à invasão das águas. Muitas ruas permaneceram parcialmente submersas, resultando em prejuízos materiais e colocando em risco a segurança dos moradores.
(Marcello Campos)
