Após enfrentar mais um evento climático significativo, o Rio Grande do Sul se vê diante de diversos obstáculos. Dentre eles, destaca-se a necessidade de iniciar um novo ciclo de desenvolvimento enquanto se implementam infraestruturas que aumentem a resiliência aos efeitos climáticos. Essa pauta foi central na edição do Sergs Debates: Infraestruturas para o RS, ocorrida na última quarta-feira (23), na sede da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), em Porto Alegre.
É fundamental que o estado olhe para o futuro e identifique as ações necessárias para garantir seu desenvolvimento, elevar a competitividade e preparar o território para os próximos anos. Além da reconstrução dos danos causados, especialistas de diversas áreas, incluindo saneamento, meio ambiente, construção civil e projetos especiais, se reuniram para discutir ideias sobre as transformações e modernizações que o Rio Grande do Sul deve implementar.
“Mais uma vez, realizamos um debate essencialmente técnico, plural e apartidário”, comentou Leonardo Treiguer, presidente da Sociedade de Engenharia. “Estamos satisfeitos em contribuir com uma visão fundamentada em dados e evidências concretas para criar projetos que orientem políticas públicas prioritárias, visando o desenvolvimento econômico, ambiental e social do nosso estado”, acrescentou.
Debates e discussões
Rodrigo Hughenin, diretor do Departamento de Energia da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), anunciou um estudo programado ainda para este ano que irá mapear as necessidades e projetos em todo o Rio Grande do Sul. “Um dos maiores desafios é o sistema de transmissão de energia, que representa um gargalo. O objetivo desse estudo é proporcionar subsídios para um planejamento mais eficaz, respeitando a atuação dos órgãos responsáveis”, declarou.
Bruno Vanuzzi, secretário extraordinário de Projetos Especiais de Porto Alegre, abordou a questão do saneamento básico no contexto das concessões. Ele informou que 98% da população possui acesso à água tratada e entre 56% a 59% têm acesso ao esgoto; no entanto, 21% dos usuários estão inadimplentes há pelo menos 12 meses. “Para alcançar a universalização do esgoto seria necessário um investimento contínuo por mais 30 anos no nível atual do Dmae”, estimou. Vanuzzi também destacou a necessidade de adequações nas estações para reparar danos e aumentar sua resiliência.
Claudio Teitelbaum, vice-presidente da Fiergs e coordenador do Conselho da Construção Civil da Entidade (Consic), enfatizou que “a engenharia tem como missão transformar necessidades em soluções práticas”. Ele apresentou uma série de prioridades relacionadas às políticas estaduais, como a integração da proteção climática no planejamento do desenvolvimento e a compreensão das particularidades territoriais para proporcionar condições logísticas confiáveis que incentivem novos empreendimentos.
O evento contou também com a participação de José João de Jesus da Fonseca, diretor executivo de Operações da Corsan; Sergio Luiz Klein, coordenador do Grupo Temático de Logística do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Fiergs; e Gabriel Simioni Ritter, diretor técnico da Fepam. A mediação foi realizada pela conselheira da Sergs, Daniela Cardeal.
Os Sergs Debates fazem parte da programação contínua da Sociedade de Engenharia e são patrocinados pelo Banrisul. Os temas abordados visam fomentar discussões sobre questões estratégicas voltadas ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
