Suplementos alimentares mitigam os efeitos climáticos na criação de gado

A qualidade e a disponibilidade de pasto natural para o gado no Rio Grande do Sul estão em declínio, uma situação que se torna evidente em algumas regiões devido ao excesso de chuvas ocorrido em julho. Com o fenômeno El Niño já afetando o Sul do Brasil, trazendo chuvas intensas e temperaturas elevadas, os pecuaristas precisam considerar a suplementação alimentar como uma estratégia para evitar a perda de peso e garantir a saúde e condição corporal dos animais.

A professora e pesquisadora Soraya Tanure, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta que as variações bruscas de temperatura e a quantidade de chuvas impactam diretamente na rotina produtiva. O gado pode não apenas deixar de ganhar peso, mas também pode sofrer perdas significativas durante períodos críticos. “Os animais podem até perder peso em situações desfavoráveis. Vários fatores contribuem para isso, mas em média, essa perda pode chegar a 0,5 quilo por dia”, declara. Além disso, problemas como doenças, diminuição na ingestão de ração ou dificuldades de locomoção em pastos inundados podem surgir. A situação é ainda mais complicada na pecuária leiteira, onde as oscilações de temperatura têm um efeito mais severo. As vacas no início da lactação (entre 50 a 70 dias após o parto) são particularmente vulneráveis ao estresse térmico nesse período crítico de produção.

Diante desse cenário desfavorável, é aconselhável que os pecuaristas invistam em suplementação para compensar a queda na qualidade das pastagens. Soraya recomenda a oferta de silagem de milho por um período de 60 dias como uma alternativa eficaz para evitar a perda de peso nos animais. “Se considerarmos um preço de R$ 12,00 por quilo vivo do animal, uma perda diária de 500 gramas resultaria em um custo de R$ 6,00 por dia ao produtor. Por outro lado, o custo diário da suplementação para um animal pesando 400 quilos, recebendo 1% do seu peso vivo em ração, estaria na média de R$ 6,00.” Em áreas que apresentam maior resistência ao pisoteio, a especialista sugere o uso de sal proteinado na proporção de 1g por kg de peso vivo. Para um animal com 400 kg, esse custo varia entre R$ 3,00 e R$ 5,00 diariamente.

Segundo Soraya, manter o peso dos animais durante o inverno facilita um reequilíbrio mais rápido na primavera, quando as pastagens já estarão recuperadas e os custos com alimentação tendem a diminuir.

Se o produtor não agir preventivamente e permitir que seus animais tenham uma redução na produtividade, a recuperação do peso ou dos níveis anteriores de produção leiteira após os efeitos do El Niño poderá demandar investimentos muito maiores. Isso incluirá gastos significativos com alimentação adicional e reforço nas práticas sanitárias e operacionais.