Porto Alegre enfrenta risco de alagamento na Zona Sul e ilhas devido à subida do nível do Guaíba

Devido às chuvas intensas, uma elevação significativa nos níveis dos rios Jacuí e Taquari deve contribuir para o aumento do Guaíba até esta quinta-feira (1º), com a expectativa de que essa situação se mantenha por vários dias. Em Porto Alegre, especialistas descartam a possibilidade de uma enchente similar à ocorrida em 2024, embora as áreas das ilhas e a Zona Sul da capital estejam novamente sujeitas a riscos de alagamentos.

Na noite da quarta-feira (30), a régua do Guaíba no Cais Central da Avenida Mauá (Centro Histórico) registrou 2 metros, uma elevação de 25 centímetros em relação ao dia anterior. A Metsul Meteorologia prevê que a cheia atual supere a da semana passada, que teve um pico de 2,17 metros no dia 23. Segundo os meteorologistas, “o Guaíba deve permanecer em níveis elevados até o início da próxima semana, principalmente devido à vazão do rio Jacuí”.

O rio Taquari alcançou seu pico de cheia em Lajeado durante a madrugada dessa quarta-feira, com 23,3 metros, o que é inferior ao máximo registrado na semana anterior (24,5 metros). Por sua vez, o Caí atingiu 11,1 metros, também abaixo do pico anterior de 14,3 metros.

No entanto, o Jacuí apresentou um aumento considerável no nível: atingiu 9,03 metros na região inicial da bacia em Dona Francisca, superando os 6,3 metros registrados na semana passada. Além disso, fortes precipitações foram observadas na parte superior da bacia e chuvas de até 250 milímetros ocorreram na seção intermediária do curso do Jacuí no Centro do Estado.

Desafios na previsibilidade

Em uma análise publicada no site metsul.com, o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall discute a complexidade envolvida na previsão do nível do Guaíba. Ele destaca que existem várias variáveis que dificultam esse prognóstico em comparação com o monitoramento de apenas um rio:

“A simultaneidade das vazões de diversos rios e os picos de cheia que ocorrem em momentos diferentes complicam ainda mais as previsões. A interação entre esses rios e os momentos distintos em que cada um atinge seu pico aumenta significativamente as dificuldades para prever o nível do Guaíba”, afirma Nachtigall.

Ele ressalta que alguns dos rios que contribuem para o Guaíba já chegaram aos seus picos de cheia enquanto outros ainda não. Outro fator relevante é a influência do vento. Embora normalmente não afete os rios que desaguam no Guaíba, este elemento tem um impacto considerável nas águas em Porto Alegre:

“O Guaíba está localizado na extremidade norte da Lagoa dos Patos e é afetado pelos ventos provenientes dessa lagoa, tanto pela direção quanto pela intensidade. Ventos fortes vindos do sul podem causar represamento no escoamento e aumentar ainda mais o nível do Guaíba. Historicamente, durante enchentes severas, picos de elevação superiores a 70 centímetros foram registrados devido a ventos intensos vindos do sul associados a ciclones ou massas de ar frio”, conclui.

(Marcello Campos)