Judeus do Rio Grande do Sul prestam tributos em memória ao atentado de 7 de outubro, três anos após a tragédia

Três anos após o ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel — quando militantes do Hamas invadiram o território israelense, resultando na morte de mais de 1,2 mil pessoas e no sequestro de 251 indivíduos — a comunidade judaica do Rio Grande do Sul realizou um ato de memória e resistência na Praça Maurício Cardoso, em Porto Alegre. O evento ocorreu diante do Monumento da Resiliência e contou com a presença aproximada de 300 participantes, incluindo autoridades, rabinos e representantes de mais de 30 organizações judaicas.

Um dos nomes lembrados foi o porto-alegrense Ranani Nidejelski Glazer, de apenas 24 anos, que perdeu a vida durante o festival Supernova no sul de Israel. Sua memória estabeleceu uma conexão direta entre a tragédia internacional e a realidade local, tornando o encontro ainda mais significativo para a comunidade judaica gaúcha.

Vozes da memória e da resistência

O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, enfatizou a importância humana e política da homenagem: “Este ato em memória das vítimas do ataque de 7 de outubro é algo que nenhum de nós desejaria estar realizando. No entanto, é crucial relembrar essas memórias e oferecer solidariedade às famílias enlutadas… Mais importante ainda, este é um ato contra o ódio.”

Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal, Moisés Barbosa, ressaltou a necessidade da união institucional: “Hoje é um dia para reflexão. Estamos aqui com o prefeito e representantes de 30 entidades da comunidade israelita; não poderíamos estar em outro lugar senão aqui.”

A presidente da Federação Israelita do Estado, Daniela Russowsky, trouxe uma mensagem sobre ressignificação e responsabilidade coletiva: “Este dia serve para honrarmos a memória dos que foram mortos no dia 7 de outubro, mas também para nos perguntar como podemos dar significado a essa memória. Como podemos honrá-la? É viver plenamente e entender que não podemos permitir que extremismos e ódio cheguem a esse ponto.”

A vereadora Fernanda Barth, proponente do ato, destacou a importância do monumento como um espaço permanente para lembrança: “A Federação Israelita apoiou fortemente o monumento, e a Prefeitura de Porto Alegre nos deu total apoio; todos na praça abraçaram essa ideia, pois é fundamental garantir segurança para um monumento assim. Infelizmente, essa é nossa realidade. Precisamos ter um local onde possamos lembrar anualmente do que aconteceu, para que nunca se repita.”

Dimensão social e política

A cerimônia transcendeu a simples homenagem às vítimas; ela simbolizou um compromisso coletivo em transformar dor em solidariedade e memória em ação. A presença das autoridades municipais e estaduais reforçou o caráter institucional do evento, evidenciando que a luta contra o antissemitismo e intolerância religiosa é uma responsabilidade compartilhada.

Nos últimos anos, Porto Alegre tem se afirmado como um exemplo nacional em iniciativas voltadas à memória e resistência. O Monumento da Resiliência, criado através da parceria entre a Federação Israelita e a Prefeitura, tornou-se um marco permanente contra o esquecimento e um símbolo da convivência democrática.