Do cuidado compartilhado à regulamentação do Cadastro de Animais Comunitários em Porto Alegre

Em Porto Alegre, a presença dos cães comunitários vem ganhando destaque. São animais que, mesmo sem um dono único, estabelecem laços de afeto e dependência com a comunidade onde vivem, seja em frente a estabelecimentos comerciais, escolas ou praças. Reconhecidos pelos moradores e comerciantes locais, esses animais se tornam parte do dia a dia e da identidade do local.

Com o objetivo de apoiar esses animais, o Gabinete da Causa Animal, liderado pela secretária executiva Tatiana Guerra, lançou o Cadastro do Animal Comunitário. Essa iniciativa tem como intuito mapear os cães comunitários da cidade e oferecer serviços essenciais como microchipagem, vacinação, castração e acompanhamento veterinário. Além disso, o cadastro também garante apoio com ração e insumos para os voluntários responsáveis pelo cuidado desses animais em contato com o gabinete.

A ação surge em um contexto de aumento alarmante nos casos de maus-tratos contra animais. De acordo com a Polícia Civil, houve um aumento de 125% no número de ocorrências no Rio Grande do Sul entre 2024 e 2025. Esses casos não envolvem apenas cães e gatos, mas também aves e bovinos. Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas de proteção e conscientização sobre a importância do bem-estar animal.

Tatiana Guerra enfatiza que o cadastro não se restringe apenas aos cães: “Atualmente temos 25 animais cadastrados, sendo 14 cães e 11 gatos. O importante é reconhecer que esses animais possuem vínculos com a comunidade e precisam de cuidados. O cadastro garante que sejam identificados, vacinados e acompanhados, evitando abandono e maus-tratos.”

O cadastro pode ser realizado por qualquer pessoa maior de 18 anos que se voluntarie como responsável de referência. O processo é simples e pode ser feito através do Instagram @causaanimalpoa, do site da Prefeitura ou ligando para o 156. A equipe do gabinete visita o local, verifica as condições do animal e providencia os cuidados necessários como castração, vacinação e microchipagem. Para aqueles sem recursos, há apoio com ração e acompanhamento veterinário. “Idealmente, todos os animais teriam um lar amoroso. Mas, como isso não é possível, criamos a figura do cão comunitário, prevista em legislação estadual desde 2019 e apoiada pela Prefeitura desde o ano passado, como forma de garantir dignidade e cuidado”, explica Tatiana.

O programa Cão Comunitário vai além de promover o bem-estar animal, é também uma ação de cidadania. Ao incentivar a comunidade a se unir para cuidar dos animais, o município promove uma cultura de solidariedade e responsabilidade compartilhada. O cadastro simboliza uma mudança de mentalidade ao reconhecer que os animais fazem parte da vida urbana e que sua proteção é uma responsabilidade coletiva.

Em uma cidade que registrou milhares de casos de maus-tratos, iniciativas como essa são fundamentais para transformar Porto Alegre em um lugar mais humano e consciente. Proteger os animais é, portanto, um ato de proteção à própria comunidade. Conforme ressalta Tatiana Guerra, “O cão comunitário representa afeto e pertencimento. Cuidar deles é cuidar da cidade.” (por Gisele Flores)