Força-tarefa da polícia gaúcha desmantela quadrilha do “golpe do falso executivo

Na manhã desta terça-feira (9), a Polícia Civil do Rio Grande do Sul lançou a Operação Interface com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa que se especializou em estelionatos eletrônicos, utilizando o golpe conhecido como “falso executivo”.

Durante a operação, foram cumpridos 60 mandados de busca e apreensão, além de 27 ordens de prisão nos estados do Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Todas as contas bancárias relacionadas aos alvos foram bloqueadas, resultando na prisão de seis indivíduos. Também foram confiscados veículos, motocicletas, aparelhos celulares, chips de celular e R$ 15 mil em dinheiro.

A ação foi liderada pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, com o suporte do Laboratório de Operações Cibernéticas da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos do Ministério da Justiça, além das Polícias Civis dos estados envolvidos.

Estima-se que a organização criminosa tenha causado um prejuízo de R$ 193,6 mil a uma empresa industrial localizada em Canoas. O esquema consistia em utilizar aplicativos de mensagens para se fazer passar por executivos reais, induzindo os funcionários financeiros a realizarem transferências bancárias para contas controladas pelos criminosos.

Uma das vítimas desse golpe foi uma assistente financeira que acreditou estar recebendo instruções legítimas do presidente da empresa. A fraude ocorreu em fevereiro de 2025 e exemplifica a crescente sofisticação dos golpes corporativos perpetrados por grupos especializados em engenharia social.

No dia 5 de fevereiro daquele ano, a assistente recebeu mensagens de um número que apresentava a foto do presidente da companhia. Como ele estava viajando e frequentemente solicitava pagamentos via mensagens, a funcionária não percebeu nada suspeito.

Seguindo as orientações recebidas, ela fez transferências para contas indicadas pelo suposto executivo. Esses valores foram enviados para diferentes destinatários. Apenas dois dias depois, ao notar que os pagamentos eram excessivos e realizados em um curto intervalo, a funcionária começou a desconfiar. Ao verificar o número utilizado, descobriu que não correspondia ao telefone verdadeiro do presidente.

Após registrar o ocorrido, iniciou-se uma investigação visando identificar os responsáveis pelo crime. As diligências indicaram que o golpe teve origem no Mato Grosso, especificamente na região de Cuiabá, conhecida por ser um ponto crítico para crimes semelhantes, como os golpes do “falso intermediário” e do “falso parente”. Posteriormente, os valores transferidos eram redistribuídos para outros criminosos em diferentes estados.

A investigação revelou uma estrutura criminosa bem organizada com diversas funções. Entre elas estavam os “conteiros”, que disponibilizam suas contas bancárias para receber dinheiro oriundo de crimes; os “tripeiros”, que recrutam essas pessoas em troca de comissões; e os gerentes da operação. Também foram identificados o executor e o articulador do golpe, ambos com extensos antecedentes criminais relacionados a delitos similares.

Conforme informado pela Polícia Civil, os envolvidos utilizavam uma estratégia de fragmentação financeira para dificultar tanto a recuperação dos valores quanto o rastreamento dos recursos ilícitos. O dinheiro era rapidamente dividido e transferido entre inúmeras contas em diferentes estados brasileiros, muitas delas ligadas a instituições financeiras digitais menos conhecidas no mercado. Essa tática ajuda a atrasar bloqueios judiciais e complica a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema.

A delegada Luciane Bertoletti ressaltou que esse tipo de fraude está se tornando cada vez mais frequente no ambiente empresarial brasileiro. “Os criminosos analisam cuidadosamente as estruturas das empresas, identificam executivos e funcionários com acesso ao setor financeiro e utilizam fotos, nomes e dados públicos para criar perfis falsos altamente convincentes”, afirmou.

A Polícia Civil recomenda que as empresas implementem protocolos rigorosos para confirmar qualquer solicitação de transferência bancária, especialmente quando há alteração nas contas ou valores significativos envolvidos. A orientação é validar todas as movimentações financeiras importantes através de múltiplos canais de comunicação e sempre que possível, entrar em contato diretamente com quem fez a solicitação.