Um cidadão brasileiro foi detido na Bolívia, acusado de envolvimento em um roubo que resultou na subtração de R$ 14 milhões de uma aeronave pagadora no aeroporto de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, ocorrido em junho de 2024. A Polícia Federal (PF) confirmou a prisão no último sábado (11), informando que a ação é parte de um esforço conjunto internacional e que medidas estão sendo tomadas para repatriar o suspeito ao Brasil, onde ele ficará à disposição da Justiça.
Conforme a PF, as investigações apontam que o indivíduo teve um papel ativo tanto no planejamento quanto na execução da ação criminosa contra a aeronave. “Havia um mandado de prisão emitido pela Justiça brasileira contra ele, e o suspeito estava foragido desde julho de 2025”, informou a corporação, que optou por não revelar o nome do detido.
A operação contou com a colaboração do Oficial de Ligação da Polícia Federal em Santa Cruz de la Sierra e da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN) da Polícia Boliviana. No dia 19 de junho de 2024, um grupo armado composto por nove indivíduos invadiu a área restrita do aeroporto utilizando três veículos blindados — sendo dois deles disfarçados como viaturas da Polícia Federal — e conseguiu levar mais de R$ 14 milhões que estavam sendo transportados por via aérea desde Curitiba, Paraná. Os fundos tinham como destino abastecer um carro-forte.
Imagens divulgadas no período capturaram a dinâmica da ação dos bandidos e os confrontos com as forças policiais. A PF ressaltou que, durante o tiroteio após o assalto, o sargento Fabiano Oliveira, da Brigada Militar, perdeu a vida. Ele foi um dos primeiros a responder à ocorrência.
A PF também relatou que “o crime ocasionou a morte de três pessoas, incluindo dois civis e um dos assaltantes. Além disso, cinco pessoas ficaram feridas – uma delas gravemente – devido à detonação de um explosivo deixado nas ruas, resultando na amputação dos dois pés dessa vítima”, conforme comunicado na época.
Após cerca de 70 dias dedicados às investigações, em setembro de 2024, a Polícia Federal indiciou 17 indivíduos envolvidos no roubo. As apurações revelaram que membros de facções criminosas provenientes de São Paulo chegaram ao Rio Grande do Sul dias antes do incidente e contaram com apoio local para realizar quatro etapas: planejamento, execução, fuga e exfiltração.
A operação incluiu a aquisição e transporte de armamentos como fuzis e pistolas, além de munições e explosivos. Também foram utilizados dispositivos como “jammers”, “miguelitos”, equipamentos telefônicos variados, chips SIM, rádios comunicadores, roupas táticas e veículos com placas falsas.
No mês passado, a PF prendeu um dos mais procurados assaltantes bancários do Brasil. Na ocasião, as autoridades afirmaram que ele estava envolvido no planejamento e na execução do ataque à aeronave pagadora.
O suspeito foi capturado em Osório, no litoral gaúcho, após ter sua prisão preventiva decretada pela Justiça Federal. A PF também mencionou que esse indivíduo poderia ser parte central nos ataques realizados às agências bancárias da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em Araçatuba, São Paulo, ocorridos em 2021.
