O empresário Sérgio Gabardo, da Transportes Gabardo, enfatiza que uma eventual greve marcada para esta quinta-feira não deve ser considerada como uma ação política, mas sim como uma resposta às dificuldades enfrentadas pelos motoristas.
Entre os principais problemas apontados por ele estão as leis trabalhistas consideradas rígidas e impraticáveis, que obrigam os motoristas a fazer pausas sem oferecer a infraestrutura necessária. “Os motoristas são obrigados a parar, mas muitas vezes não têm locais seguros. Isso os deixa vulneráveis a assaltos e roubos”, destaca.
Gabardo também menciona os altos custos dos pedágios, especialmente em locais como Camaquã, na BR-116, onde o valor da tarifa pode superar o gasto com diesel para o mesmo trajeto. “É um absurdo. Os pedágios deveriam garantir algo em troca, mas não oferecem segurança nem estrutura adequada”, critica.
Outro desafio apontado é a falta de motoristas dispostos a permanecer trabalhando nas estradas. “Os transportadores têm dificuldade em encontrar profissionais comprometidos. Muitos não querem mais viajar devido às condições precárias. Alguns continuam apenas porque algumas empresas ainda conseguem pagar bem”, explica. Ele ressalta que, em alguns casos, motoristas acabam não conseguindo voltar para casa por atrasos mínimos de apenas alguns minutos, o que gera frustração e desmotivação.
Para Gabardo, a crise que o setor enfrenta é estrutural: há caminhões retidos por falta de pagamento e empresas com dificuldades financeiras. Ele enfatiza que não vê os motoristas se mobilizando por questões políticas. “Se a pauta for política, o movimento perde força. Mas se for baseado nas condições reais de trabalho, aí sim faz sentido”, conclui.
Gabardo defende que o foco do debate seja nas condições de trabalho, segurança, pedágios e infraestrutura viária, e não em questões ideológicas. Para ele, se houver uma greve, será em busca da sobrevivência da categoria e não por motivos políticos.
