A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre está realizando hoje mais uma etapa dos serviços de Borrifação Residual Intradomiciliar (BRI). Esta técnica consiste no uso de inseticida com efeito residual em paredes internas e superfícies onde o mosquito da dengue costuma pousar. O foco dessa iniciativa são os galpões utilizados pelas Escolas de Samba no Complexo Cultural do Porto Seco, no bairro Rubem Berta, Zona Norte, que já foram contemplados com o procedimento antes do Carnaval de 2025.
Equipes devidamente identificadas e equipadas com equipamentos de proteção individual terão acesso ao local pela rua Ariovaldo Alves Paz. Os trabalhos devem começar logo após as 9h. O produto utilizado cria uma barreira química que permanece ativa por semanas ou meses, eliminando os insetos adultos que entram em contato com as áreas tratadas.
Na semana passada, a SMS iniciou a instalação de 120 estações de disseminação de larvicidas (EDL) no bairro Vila João Pessoa, Zona Leste, aumentando para quatro as áreas da cidade que possuem esse dispositivo. Essa nova tecnologia é crucial no controle do Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, zika vírus e febre chikungunya.
O funcionamento das estações é simples. São potes plásticos com uma tela interna impregnada de larvicida, que impede o desenvolvimento da fase larval do vetor, evitando que os insetos alcancem a fase adulta e transmitam doenças. A concentração do produto é muito baixa e não oferece riscos à saúde.
“O produto aplicado na tela contém piriproxifem 0,5% como princípio ativo e é seguro para seres humanos e animais domésticos”, ressalta o biólogo Tiago Fazolo, da Vigilância Ambiental da SMS. “A colaboração da comunidade é essencial para o sucesso dessa estratégia.”
Essas armadilhas contêm água para atrair o Aedes. Quando o mosquito entra no dispositivo para depositar ovos, entra em contato com o larvicida. Como os mosquitos depositam ovos em diferentes locais, acabam transportando o produto para outros criadouros, interrompendo o desenvolvimento das larvas e reduzindo a infestação de mosquitos adultos.
As armadilhas são instaladas por agentes de combate a endemias e técnicos da Vigilância em Saúde do município. Esses profissionais visitam os imóveis a cada 40 dias para manutenção das EDL, trocando a água e a tela com larvicida.
Ineditismo
Em Porto Alegre, esse projeto é inédito e foi desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde. Até o momento, os bairros Bom Jesus (212 equipamentos), Passo das Pedras (317) e São José (180) foram contemplados com as estações. A escolha das regiões levou em consideração critérios técnicos e o histórico de casos de dengue nos últimos anos.
A implantação começou no semestre passado e, no Rio Grande do Sul, apenas Porto Alegre e Rio Grande (Litoral Sul) contam com essa inovação. Os agentes responsáveis pela implementação estão devidamente identificados e também oferecem orientações sobre o funcionamento do sistema aos moradores.
(Marcello Campos)
