Luísa Valduga avalia vinhos e espumantes europeus à luz da tradição e inovação

Entre tradição e reinvenção

A Europa está passando por mudanças históricas em relação ao mercado de vinhos. Enquanto os vinhos tranquilos estão em declínio, os espumantes estão ganhando destaque e novas origens estão conquistando espaço. Diretamente de Londres, Luísa Valduga, uma especialista em marketing com 35 anos e experiência em Business Intelligence, analisa as tendências atuais, as uvas emergentes e a posição do Brasil e da Casa Valduga nesse novo cenário.

Europa em transição: vinhos tranquilos em 2025

O setor vinícola europeu passou por um período de declínio em 2025. O consumo médio por pessoa, que já foi de 30 litros em 2005, caiu para pouco mais de 20 litros. Países como França, Itália e Espanha registraram quedas de até 35%, impulsionadas por mudanças demográficas, preocupações com a saúde e poder de compra reduzido. O consumo de vinho deixou de ser um hábito diário e passou a ser uma escolha consciente.

Mesmo com esses números, a União Europeia ainda representa cerca de 107 milhões de hectolitros, metade do consumo mundial. As exportações recuaram 8,5% em 2023, afetando diretamente os produtores tradicionais, que enfrentam elevados estoques e margens de lucro reduzidas.

De acordo com Luísa Valduga, essa é uma mudança estrutural significativa:

“O consumo de vinho não é mais automático na Europa. Hoje em dia, é uma escolha, o que beneficia os produtores que oferecem identidade, frescor e alinhamento com o estilo de vida atual.”

Uvas e estilos em alta: os novos entrantes

O mercado europeu movimentou cerca de US$ 104 bilhões em 2025, com o crescimento se concentrando não apenas nas uvas clássicas. Uvas relacionadas à autenticidade e origem, como Furmint (Hungria), Assyrtiko (Grécia), Chenin Blanc (África do Sul) e Torrontés (Argentina), estão ganhando espaço.

Essa mudança abre oportunidades para produtores do Novo Mundo que tenham um perfil técnico bem definido e uma identidade clara. Nesse contexto, os vinhos brancos da Casa Valduga estão sendo bem recebidos, especialmente pela combinação de frutas, equilíbrio e frescor, que estão alinhados com as preferências atuais dos consumidores europeus.

Tendências para 2026

Especialistas do London Wine Competition identificam quatro principais tendências:

  • Sustentabilidade e autenticidade como critérios de escolha.
  • Aumento da demanda por vinhos com baixo teor alcoólico.
  • Preferência por estilos mais secos.
  • Maior interesse em novas origens e histórias associadas.

O Brasil e a Casa Valduga em evidência

O avanço do Brasil no mercado internacional não é mais apenas uma promessa, os números comprovam essa tendência. Em 2025, o Brasil exportou 751,5 mil caixas de 9 litros, gerando receita de US$ 12,8 milhões, o que representa um aumento de 18,5% em volume e 18,8% em valor em relação ao ano anterior. Incluindo vinhos, espumantes e suco de uva, o total exportado atingiu US$ 22,23 milhões, com destaque para mercados como Paraguai, Estados Unidos e Japão.

Os espumantes lideraram esse crescimento, com um aumento de quase 30% em valor no primeiro semestre de 2025, confirmando a percepção de que o Brasil encontrou um nicho competitivo alinhado com as preferências globais por estilos mais secos, autênticos e gastronômicos.

De acordo com Luísa Valduga:

“O Brasil não precisa competir com a Europa em tradição. Nossa força está em oferecer vinhos e espumantes tecnicamente precisos, com frescor natural e identidade própria.”

A linha 130, especialmente o 130 Blanc de Blancs, se tornou o principal rótulo exportado pela Casa Valduga, enquanto os Premium Extra Brut, Nature e Sur Lie acompanham a demanda por produtos com menor teor de açúcar e maior precisão gastronômica.

Resistência e reinvenção: espumantes em destaque

Enquanto os vinhos tranquilos estão perdendo espaço, os espumantes demonstram uma certa resiliência. Em 2023, a produção de espumantes europeus foi de 1,496 bilhão de litros, uma queda de 8%, mas ainda assim um número expressivo. O consumo de espumantes não se limita mais apenas a celebrações e passou a fazer parte do cotidiano das pessoas.

Além do champanhe, outros estilos estão se destacando. Os Crémants da Borgonha estão crescendo como uma opção de qualidade com melhor relação custo-benefício na França. Na Itália, o Franciacorta está consolidando sua presença no mercado internacional. Fora do circuito tradicional, surgem origens inesperadas, como os espumantes da Tanzânia, que já estão recebendo reconhecimento em competições internacionais.

O Brasil está se estabelecendo como uma referência do Novo Mundo, com destaque para a Serra Gaúcha, onde a Casa Valduga se destaca como um dos produtores mais consistentes do país.

Como ressalta Luísa Valduga:

“A próxima fase do mercado de espumantes não será definida apenas pela origem tradicional, mas pela relevância. Claridade de estilo, identidade e qualidade técnica serão cruciais.” (Por Gisele Flores – [email protected])